sábado, 7 de julho de 2012

SANTA CASA DE MIOSERICÓRDIA DA CAMPANHA

                 A SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DA CAMPANHA

As Santas Casas de Misericórdia surgiram em Portugal no final do século XV. Em 1498, a rainha de Portugal, Dona Leonor, a pedido e seu confessor, frei Miguel de Contrias, fundou a primeira Santa Casa, que nasceu com um principio próprio, revestido, e uma profunda ação solidária e caridade cristã.
O objetivo principal de sua criação seria prestar assistência médica às pessoas mais necessitadas, daí a razão do nome "Misericórdia", para significar piedade, compaixão e sentimento despertados pela infelicidade de outrem. Esse princípio permanece até aos dias de hoje.
Com efeito, onde houver uma "Santa Casa", a sua preocupação maior é prestar assistência médico-hospitalar a quem dela precisar, dando especial atenção, gratuitamente, aos realmente necessitados.
Tendo o Brasil sido descoberto e colonizado por Portugal, para aqui também se trasladou essa preocupação de se assistir os carentes, fundando-se, então, em Olinda, em 1539, e em Santos, em 1541, as primeiras "Santas Casas" que, com o transcorrer dos anos, se disseminaram por todo o país.
Assim, foram fundadas respectivamente, Salvador, em 1549, Vitória, em 1551, Rio de Janeiro, em 1567, São Paulo, em 1599. Em Minas Gerais, a primeira "Santa Casa" foi a de Ouro Preto, em 1730, posteriormente, São João Del Rei, em 1783 e a de Sabará, em 1812.
A Santa Casa de Campanha é 4ª de Minas Gerais. As providências iniciais para a sua construção datam do ano de 1831, quando o ilustre Campanhense, Senador do Império, José Bento Ferreira de Mello, se propôs a desenvolver e apoiar esse significativo e extraordinário projeto.
Foi criada uma comissão composta pelos senhores Manoel Inácio Gomes Valadão, Presidente, Padre Bento José Labre, Secretário, Manoel Luiz de Souza, Gaspar José de Paiva, Padre João Damasceno Teixeira, com objetivo de angariar doações e recursos em favor do grandioso empreendimento, de tão alta significação social e caritativa, que requer muita dedicação, grande espírito público e penoso trabalho, qualidades que nunca faltaram aos Campanhenses no decorrer de muitos anos em que estiveram empenhados na sua realização em benefício da comunidade local.
Aos 7 de abril de 1834, realizou-se uma reunião sob a presidência do Cirurgião e Comendador, Inácio Gomes Mindões, Presidente, Padre João Damasceno, Secretário, Manoel Luiz de Souza, Tesoureiro, Sargento Mor, João Rodrigues de Macedo e o diretor de obras nomeado pela Câmara Municipal, Bernardo Jacinto da Veiga, em que foram tomadas as providências necessárias ao início das obras. Essa comissão, no ano seguinte, dava conhecimento à Câmara Municipal que a base do Edifício já se achava com as pedras devidamente assentadas.
Em 31 de outubro de 1836, foi eleita a primeira mesa diretora, composta dos seguintes membros:
§Provedor, Dr. Tristão Antonio de Alvarenga
§Secretário, Comendador Francisco de Paula Ferreira Lopes
§Tesoureiro, João Rodrigues de Macedo
§Mordomos, Antonio Luiz de Souza
§Cândido Bueno da Costa
§Padre Flávio de Morais Salgado
§Domingos Ferreira Lopes
§Miguel Ferreira Vitorino
§Domingos de Oliveira Carvalho
§João Crisóstmo das Chagas
§José Vicente Valladão
§Bernardo Jacinto da Veiga

Não obstante as contribuições e os donativos de várias naturezas, as obras da Santa Casa, dadas as suas vastas proporções e as dificuldades sempre crescentes, levando-se em conta as precariedades desses recursos, prosseguiram em ritmo lento e demorado, apesar do esforço e do apoio de toda a comunidade Campanhense.
Por volta do ano de 1841, Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena assume a frente das obras e, às suas expensas, secundado por João Rodrigues de Macedo na administração das obras e o apoio de outros beneméritos, conseguem, finalmente, que em 1851 estivesse totalmente concluída essa extraordinária obra.
Nesse mesmo ano, Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena abre as portas da Santa Casa à população Campanhense, dando por inaugurada essa extraordinária obra, orgulho do povo Campanhense que, ao longo de sua gloriosa existência, ha 161 anos vem prestando inestimáveis serviços a toda comunidade Campanhense, sem fugir de seu objetivo maior, o de prestar assistência médica e hospitalar aos mais necessitados.
Foi então eleita a nova mesa que ficou assim constituída:

§Provedor, Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena
§Secretário, Comendador Francisco de Paula Ferreira Lopes
§Tesoureiro, João Rodrigues de Macedo
§Conselheiros:
oDr. Antonio Dias Ferraz da Luz
oAntonio Carlos Pereira
oDomingos Ferreira Lopes
oJoão Jacome São José de Araujo
oAntonio José de Melo Trant

Damos abaixo a relação dos PROVEDORES dessa Instituição, desde a sua inauguração até os dias de hoje, como uma homenagem a essas devotadas e beneméritas pessoas que, ao longo desses 161 anos de existência dessa gloriosa Casa, que, com grande empenho e espírito de sacrifício, deram a sua contribuição para o engrandecimento e conservação dessa SANTA CASA:

§Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena, de 1841 a 1886 - ano do seu falecimento
§Cônego José Theofilo Moinhos de Vilhena, de 1886 a 1899 (filho do Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena)
§Monsenhor Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, de 1900 a 1926 - ano do seu falecimento (filho do Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena)
§Cônego Hugo Bressa Bressane de Araújo, de 1926 a 1929
§Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena, de 1930 a 1981 - ano do seu falecimento
§Serafim Paiva de Vilhena Júnior, de 1981 a 1982
§João Fonseca, de 1982 a 1984
§Irmão Paulo, de 1984 a 2001
§Dr. Luiz Paulo Brandão de Vilhena, de 2001 a 2006 (filho do Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena)
§Hudson Fonseca, de 2006 a 2009
§Roberto Ximenes de Souza (atual provedor)

Uma palavra de louvor e exaltação a essas abnegadas e caritativas FILHAS DA CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO .
Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Servas dos Pobres ou ainda Filhas da Caridade, Irmãs de São Vicente de Paulo, Irmãs de Caridade ou simplesmente Vicentinas. É uma congregação religiosa católica, de vida apostólica e comunitária, fundada em1633 por Vicente de Paulo (1581-1660) e Luísa de Marillac (1591-1660).
É a primeira congregação religiosa feminina católica a ter vida apostólica, até então só se permitia a vida claustral para as monjas católicas. O carisma fundamental das Filhas da Caridade é o serviço aos pobres: nos hospitais, nas escolas, nas paróquias, nos campos de batalha, aos doentes mentais, às crianças empobrecidas e abandonadas, às mulheres marginalizadas, às pessoas idosas, aos aidéticos e outros.
A Companhia está presente e atuante nos 5 Continentes, organizada em 79 Províncias e Regiões. Possui mais de 2.424 casas, somando um contingente de mais de 21000 religiosas
A companhia das irmãs de caridade foi uma das primeiras associações a realizar cuidados de enfermagem em domicílios, reorganizar hospitais, implantando a higiene no ambiente e individualizando os leitos dos enfermos, dirigindo todos os cuidados desenvolvidos no hospital. Elas colocaram em pratica o cuidar, preconizadas por Florence Nightingale. No Brasil as primeiras irmãs VICENTINAS chegaram em 1849, a pedido do Bispo de Mariana (MG) D. Antonio Ferreira Viçoso. E mais tarde vieram as irmãs de caridade para Santa Casa do Rio de Janeiro a pedido de D. Pedro II.
As irmãs Vicentinas vieram para Campanha no ano de 1904, a pedido do saudoso e inesquecível Monsenhor Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, para prestarem as suas valiosas e eficiente colaboração na direção da Casa, com o apoio e admiração da cidade, alcançando as maiores glorias pelos relevantes serviços prestados à comunidade carente. Permaneceram na administração da Casa até o ano de 2.000, quando deixaram Campanha.
Outros Campanhenses ilustres, que ao longo do Tempo, se dedicaram com grande empenho e espírito de sacrifício para o engrandecimento e conservação dessa vetusta Casa, na sua trajetória de benemerência, que ultrapassou mais de um século até nossos dias. Dentre eles estão:
José Luiz Cardoso de Sales, Barão de Irapuã, Dr. Agostinho Marques Perdigão Malheiros, Cônego Antonio Felipe de Araujo, Capitão Cândido Inácio Ferreira Lopes, José de Souza Lima, Comendador Bernardo Saturnino da Veiga, Capitão Justino Xavier Melo Lisboa, Capitão Eulálio da Veiga Ferreira Lopes, Dr. Francisco Honório Ferreira Brandão, Dr. José Braz Cesarino, Coronel Zoroastro de Oliveira, Dr. Jeferson de Oliveira, Dr. Joaquim Leonel de Rezende Filho, Dr. Vivalde José de Melo, Dr, Manoel Alves Valadão, clinico, José Carnevalli, João Nani, José Casadei, Monsenhor José do Patrocínio Lefort, dedicado Capelão, ha vários anos prestando assistência religiosa aos internos.
Devo destacar aqui o nome do grande médico cirurgião e político de grande prestigio no Rio de Janeiro, o Dr. Pedro Ernesto Batista, que perseguido pela ditadura Vargas e acusado de subversivo, foi preso aos 4 de abril de 1936 e, depois, confinado na Campanha, a seu pedido. Durante a sua longa estada na cidade só teve uma preocupação: trabalhar e ser útil e, assim, diariamente de manhã à noite, passava os seus dias exercendo os seus serviços profissionais, notadamente, a cirurgia, na Santa Casa, sem nada cobrar para si próprio, mas sim para instituição, para os que podiam pagar e de graça para os que não dispunham de recursos, ajudado nessa nobilitante missão pelo o ilustre médico Campanhense, Dr. Zoroastro de Oliveira Filho.
Para os Gregos da Grécia antiga, a mais dolorosa das experiências é o esquecimento: irmão da morte e do sono. Mencionavam o esquecimento como a verdadeira morte; eles o tinham como o portador do silêncio, da indiferença e da obscuridade. Para que o nome de homens de bem, empreendedores, caritativos, portadores de uma jornada edificante, não morressem e que todos soubessem das virtudes desses homens - eles criaram um gênero de discurso: o elogio. O Elogio diz da arte de mostrar, de ostentar publicamente a grandeza de uma maneira de ser. O elogio tem, portanto, a particularidade de ser um gênero ético já que ele se atribui como tarefa dizer da excelência do valor. O elogio se baseia no julgamento de um valor. Pode propagar, reforçar, injetar, modificar ou até mesmo criar um valor; mas o valor só é verdadeiro quando enraizado na linguagem comum da comunidade, que a palavra circule e os as pessoas compartilhem da evidência desse valor. São, portanto, valores profundamente vinculados à vida ativa da comunidade e, por essa razão, as pessoas a quem se elogia, são sempre aquelas que se dispuseram a fazer com excelência, manuseando seus talentos e habilidades, atos que contribuíram para realização plena de suas potencialidades, que alimentam em cada um de nos a disposição de preservar aquilo que eles construíram.
Por esse motivo merecem o elogio de toda comunidade Campanhense todos aqueles que desde o primeiro momento até os dias atuais, estiveram ou estão envolvidos com a edificação e com a preservação desse magnífico projeto que é a SANTA CASA DE MISERICORDIA DE CAMPANHATodavia, merecem uma referência especial o DR. SERAFIM MARIA PAIVA DE VILHENA, Provedor e o DR. ZOROASTRO DE OLIVEIRA FILHO, diretor clinico, que por mais de meio século exerceram e honraram com competência, zelo e solidariedade, aquilo que lhes fora confiado em favor dos necessitados e dos enfermos numa jornada edificante de solidariedade e espírito de caridade cristã.
Nos dias atuais foi necessário que mudasse a forma de gestão e adequasse a administração da Casa aos dias de hoje, considerando que essas instituições sempre foram e continuam sendo o parceiro do Governo, como o seu braço forte e a um custo insignificante, na luta constante de preservação da saúde do brasileiro, que, como consta em nossa constituição: a saúde "é direito de todos e dever do Estado"
A Santa Casa de Campanha, a exemplo das demais, sobrevive e se desenvolve graças à fibra e força de vontade das pessoas que a dirige, sempre labutando para suprir-se de recursos financeiros que possibilitem seu crescimento e o engrandecimento. Modesta no início de sua vida, acompanhou, com sacrifício e dentro de suas possibilidades, o crescimento material e o sucesso tecnológico da atualidade.
É do conhecimento geral que, atualmente, a saúde no Brasil é por demais cara, tendo um elevado custo, e o que mais a sobrecarrega é o descaso de nossos governantes com a saúde em nosso País. Soma-se a isso a carga salarial e o elevado preço de materiais e medicamentos, que aumentam constantemente e também a aquisição de aparelhos necessários aos exames que se exigem para que o diagnóstico seja o mais completo e exato possível
Hoje, de modesta e simples "Casa de Saúde" que foi no passado a Santa Casa de Campanha, para poder acompanhar o progresso e não ficar parada no tempo e no espaço, tornou-se forçosamente uma empresa e, como tal, tem de ser assim administrada e dirigida, sob pena de sucumbir.
Segundo o Sr. Roberto Ximenes, o atual Provedor da Santa Casa e que, a bem da verdade, vem fazendo extraordinário trabalho e com denotado esforço e desprendimento, realizando obras de modernização dessa vetusta edificação, afirma que toda entidade conveniada com o SUS, tem de esforçar-se ao máximo para manter com dignidade e eficiência o atendimento médico-hospitalar direcionado aos seus usuários, que representam no mínimo 60% (sessenta por cento) da assistência prestada, indistintamente. Isso devido aos valores que lhe são repassados pelo SUS, que sequer cobrem os custos dos procedimentos efetuados, representando apenas 30% (trinta por cento) de sua receita bruta, obrigando a instituição a complementar com recursos próprios, advindos de receitas alternativas, o restante de 70% (setenta por cento) para a realização da assistência hospitalar aos usuários do SUS.
Necessária e obrigatoriamente, nos dias atuais, que a entidade hospitalar, de Misericórdia, tem de manter receitas alternativas para que possa sobreviver. Esses recursos decorrem de convênios mantidos com instituições privadas e também de planos de saúde, inclusive os planos próprios, pois, se a única fonte provier do SUS não terá condições de continuar a sua marcha gloriosa, iniciada, há mais de cem anos, quando a situação era bem diferente e bem menos exigente das condições atuais.
O plano de saúde próprio constitui um suporte preponderante para a vida econômico-financeira da Santa Casa, sendo, mesmo, um pilar-mestre de sustentação de suas atividades, para que possa continuar desempenhando suas atividades, voltada unicamente à saúde pública, merecendo mesmo, neste particular, o apoio da sociedade e da comunidade.
Há necessidade premente que o Governo reveja os valores de sua tabela e que ela, se não deixar margem às Santas Casas, entidades eminentemente filantrópicas, pelo menos cubra efetivamente o custo despendido pelos procedimentos efetuados, que é uma despesa exagerada, difícil de ser suportada se não houver outros recursos.
Se efetivar-se essa revisão, dentro dos parâmetros necessários e exigíveis, isso já seria uma vantagem, um socorro excelente, notadamente para que, juntamente com as receitas alternativas, consiga manter a assistência médico-hospitalar que propicia e que também possa, mesmo que, modestamente, melhor aparelhar-se como se exige hoje. O que se acena é de premente necessidade, pois, se perdurar a atual situação, poderão ser sombrias as perspectivas que se prenunciam e a sobrevivência das Santas Casas se mostra desanimadora. Como enfrentar esse grave problema?
Há de se considerar que as pessoas que se predispõem a integrar a diretoria da Santa Casa estejam dispostas corajosamente a enfrentar todo tipo de dificuldade e que jamais desanimem de seu ideal cristão de solidariedade e fraternidade, visando sempre o bem estar da saúde das pessoas, não esquecendo jamais das mais carentes para as quais essa entidade foi criada e que possa sobreviver.
Tarcísio Brandão de Vilhena

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