sábado, 7 de julho de 2012

O EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Contaminada em um eterno mar de corrupção e sufocada por ondas sucessivas de escândalos, Brasília completou 50 anos no dia 21 de abril, último. Como um exemplo maléfico, a corrupção e esses escândalos de Brasília disseminaram por por todo País, como uma pandemia, atingindo Estados e cidades brasileiras. Nada ficou imune a esse lamaçal de escândálos.
Não ha um só dia em que a população brasileira, estarrecida, não assista a inúmeros escândalos de corrupção envolvendo agentes públicos e políticos de diversos escalões, que agem de forma se apropriar do Estado, fazendo com que ele funcione a seu favor, "em uma total inversão de valores, que aumenta ainda mais o abismo social, exterminando direitos essenciais da população", deixando o Brasil em uma triste posição no cenário mundial, pois está entre os países que apresentam os mais altos índices de desigualdade social e, ainda, com diversas regiões entre aquelas com o menor índice de desenvolvimento humano do planeta.
Chamou a atenção de toda nação, na votação pelo Supremo da Lei da Ficha Limpa, uma manifestação feita pela ministra Rosa Weber, durante o seu voto favorável à constitucionalidade da legislação. Lembrou a ministra que "o homem público, ou que pretende ser público, não se encontra no mesmo patamar de obrigações do cidadão comum, pois, no trato da coisa pública, o representante do povo, detentor de mandato eletivo, subordina-se à moralidade, probidade, honestidade e boa-fé, exigências do ordenamento jurídico que compõem um mínimo ético".
Eis um resumo exemplar da identidade que deveriam portar os governantes e parlamentares: senadores, deputados federais e estaduais e vereadores, pois eles "carregam o ônus de lidar com o patrimônio e com as expectativas de toda a sociedade". A obrigação de ser íntegro, virtuoso, honrado e probo, é, sem dúvida alguma, maior do que em qualquer outro cidadão. Parafraseando a célebre expressão do imperador Romano, Júlio César, pode-se dizer que ao homem público não basta ser honesto, ele tem que provar, permanentemente, que é honesto.
Transparência é a palavra mágica; ela abrange não apenas a vida pública, mas também a conduta privada dos cidadãos que pleiteiam uma carreira no Estado ou uma representação popular.
A Ficha Limpa "foi gestada no ventre moralizante da sociedade", como bem disse a Ministra, identificando também esta grande vontade nacional de ver a ética prevalecer na administração pública, até para que os demais cidadãos tenham como exemplos inspiradores para se guiar.
A Constituição Federal, em seu artigo 29, inciso IV, informa, com nova redação, através da Emenda Constitucional No. 58, em 2009, o número de vereadores que determinado município pode eleger. O número é estipulado de acordo com o quantitativo de habitantes. Portanto, o aumento do número de cadeiras nos Legislativos Municipais é questão de “interesse” para aprovar o aumento de vagas.Nenhum município está obrigado a ampliar o número de vereadores, essa é uma questão que deveria ser amplamente debatida com a comunidade, o que, infelizmente, os vereadores de nossa cidade não o fizeram. Aqueles que aprovaram essa imoralidade, agiram discricionariamente, esquecendo-se de que são meros representantes do povo, nada mais do que isso.
Qual a relevância de um vereador em uma cidade pequena como Campanha? Nenhuma! Os políticos brasileiros, em sua imensa maioria, não estão preocupados com os interesses da população. São eleitos para representar seus eleitores e defender o interesse público. Na prática, entretanto, preocupam-se única e exclusivamente com os interesses próprios, quando não se envolvem com atitudes incorretas, condenáveis e com a malversação de recursos públicos.Não ha nenhum argumento pláusível que justificasse esse aumento de veradores numa cidade como Campanha. Basicamente, todas as ações realizadas pela Câmara Municipal poderiam ser feitas por secretariados eficientes e um modelo de gestão adequado. Aprovar nomes de ruas e autorizar a realização de festas populares não justificam a existência nem de 9, quanto mais de 11 vereadores. Para que serve a Camara Municipal? Fiscalizar as ações do executivo? Seria muito mais eficaz se a atividade fosse exercida por uma auditoria composta de pessoas qualificadas e idôneas.
Esses vereadores, com suas péssimas atitudes, fazem com que pessoas de bem se afastem cada vez mais da vida pública e menos se interessem por ela. Vivemos há algum tempo em estado de falência moral política e, ao invés de lutar por reverter esta imagem, nossos parlamentares vão no sentido completamente ao contrário.
Os vereadores que integram a Câmara Municipal da Campanha deveriam se espelhar na conduta exemplar dos homens públicos Campanhenses, de um passado não muito remoto, que sempre souberam honrar e dignificar a nossa cidade, não permitindo que ela se prostituísse policamente.Campanhenses que integraram o parlamento no primeiro período republicano, foram políticos sérios, sisudos, com grande apelo patriótico. Ao contrário dos atuais parlamentares, promoviam os embates politicos em nível de idéias e do bem público.
Atualmente, o Brasil tem um modelo de eleição que, no conjunto, constitui referência; mas os eleitos, em sua maioria, não prestam. Gilberto Amado, em seu livro, "Presença na Política", explica: "na República Velha, as eleições eram falsas, mas a representação era verdadeira...As eleições não prestavam, mas os senadores, deputados e vereadores, eram os melhores que podiamos ter"!
Quer queira, quer não, a nossa Campanha é uma cidade decadente. De todas as conquistas legadas por nossos antepassados e gestadas no seio da sociedade Campanhense, resta-nos apenas o Bispado. Se continuar esse descaso da "elite" e da sociedade como um todo, pergunta-se: e o Bispado, até quando?Não seria esse o momento da sociedade Campanhense - outrora atuante e que tantas conquistas nos legaram - se mobilizar contra essa conduta imoral de alguns vereadores, enquanto faltam médicos nos postos de saúde e o atendimento médico hospitalar às pessoas carentes e deficientes? A saúde fica totalmente comprometida, principalmente o atendimento médico. Os mais necessitados são os mais prejudicados.
Em meio ao caos, porém, sempre há esperança. A Faculdade, da qual todo Campanhense deve se orgulhar, legado de um idealista e de um obstinado, o Desembargador e Comendador Dr. Manoel Maria Paiva de Vilhena, e que se encontra em sérias dificuldades, será estadualizada, graças ao empenho da Secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Dra. Renata Vilhena, que não é Campanhense, mas em homenagem às suas raízes, e com apoio de nosso ilustre Governador, Professor Antonio Augusto Anastasia, levará a cabo essa iniciativa.
Constitui motivo de orgulho para nós, Campanhenses, o sr. Lázaro Roberto da Silva, que não é Campanhense, mas que está tendo um desempenho brilhante à frente do Executivo Municipal. Campanhenses que desejam uma cidade próspera e moderna devem reelegê-lo prefeito de nossa cidade. Como gestor público e com visão de futuro, e mesmo pertencendo a partido contrário à atual governança do estado, o Sr. Lázaro Roberto não hesitou a comparecer ao gabinete da Secretária de Estado, Dra. Renata Vilhena, e solicitar apoio financeiro para construção do "Complexo Municipal de Saúde", empreendimento pioneiro para atendimento global, pela prática de uma medicina avançada, principalmente aos mais necessitados.
A inércia contamina! Espera-se que os Campanhenses, isto é, aqueles que integram a comunidade Campanhense, sejam protagonista de uma renovação ética na política da nossa cidade.

Tarcísio Brandão de Vilhena

http://www-brandaodevilhena.blogspot.com

CONFERÊNCIA SANTO ANTONIO

SOCIEDADE SÃO VICENTE DE PAULO

A Sociedade de São Vicente de Paulo foi criada em Paris por um grupo denominado Conferência de História, composto por estudantes católicos e conduzido por Emmanuel Bailly, fundador da Tribuna Católica e colega de Félicité Robert de Lammenais. Naquele tempo, o conflito de idéias estava vivo e Bailly reuniu alguns estudantes cristãos para explorar questões sobre história, direito, literatura e filosofia. Entre eles, havia um jovem estudante de leis chamado Frédéric Antoine Ozanan.
No começo da Revolução Industrial na França, Ozanam acreditava fervorosamente na profunda convergência entre o Evangelho, a declaração dos Direitos do Homem de 1789 e os princípios de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".
As discussões, às vezes, eram tempestuosas. Um dia, um estudante, elogiando o ceticismo de Lord Byron, contestou: "O Cristianismo fez maravilhas no passado, mas agora está morto! Vocês, que ostentam serem católicos, o que fazem? Quais são suas atividades, as atividades que provam sua fé e que poderiam nos persuadir a adotá-la?"
Impressionado por este ponto de vista contrário, Ozanan e alguns amigos refletiram: "Não nos deixe falar tanto de caridade - nos deixe praticá-la e nos deixe ajudar o pobre!" Auguste Le Taillandier, um do grupo, sugeriu a eles combinarem, como cristãos, não só falar mas agir, isto é, fundar uma Conferência de Caridade. Ele propôs esta idéia a Emmanuel Bailly que, por sua vez, sugeriu a Frédéric Ozanan que a difundisse entre os jovens. Foi então que Frédéric Ozanan teve a idéia fundar uma obra para jovens, cujo ideal de caridade consistia na visita aos pobres.
Bailly aprovou sua idéia, dando a eles como lugar para as reuniões o escritório editorial da Tribuna Católica, enquanto também concordava em liderar o novo grupo.
A primeira reunião aconteceu à Rua de Saint Sulpice, 38, no dia 23 de abril de1833, Banquete de São George, às oito horas na noite.
Nesse mesmo dia, um grupo de jovens universitários, liderados por Fredec Antoine Ozanan, estudante de direito na Universidade de Sorbonne, fundava a Sociedade São Vicente de Paulo, conhecida pelas iniciais SSVP.
A época, Frédéric contava apenas 20 anos de idade. A sociedade adotou São Vicente de Paulo como patrono, inspirando-se no pensamento e na obra daquele santo, conhecido como o pai da caridade, pela a sua dedicação ao serviço dos pobres e dos infelizes.
Fiel a seus fundadores, a SSVP tem a preocupação de se renovar e se adaptar às condições mutáveis do mundo. De caráter católico, se mantém aberta a quantos desejam viver a sua fé no amor e no serviço a seus irmãos. A unidade da SSVP no mundo é representada por sua REGRA (regulamento). Busca, incansavelmente, um trabalho de maior contato e aproximação com a Igreja, através de clero.
Mesmo com a morte de seu fundador, Frédéric Antoine Ozanan, aos 40 anos de idade, a SSVP prosperou, cresceu e está presente em todo mundo, contando com número aproximado de 1.000.000 de membros.
O Brasil é o maior país Vicentino do mundo: são 20 mil conferências, 1.754 conselhos particulares, 272 conselhos centrais, 30 conselhos metropolitanos, e 2 mil obras unidas, coordenadas pelo Conselho Nacional do Brasil. São 250 mil membros. A Conferência São José no Rio de Janeiro foi a primeira do Brasil, fundada em a 19 de julho de 1872.
Na nossa cidade de Campanha, a SSVP foi fundada, através da Conferência Santo Antônio, em 25 de junho de 1922, conforme cópia da ATA da sessão inaugural que tenho em meu poder.
Por iniciativa e a convite do Padre Antonio Azevedo, vigário da diocese de Campanha e Cura da Catedral e dos Campanhenses, do Dr. Francisco Carneiro Ribeiro da Luz, do Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena e do Dr. Artur Albino de Almeida Cirino, veio a Campanha o Dr. Joaquim Furtado de Menezes, presidente do Conselho Central Metropolitano da SSVP de Belo Horizonte, para fazer uma exposição sobre o que consiste a SSVP, sua finalidade e as condições necessárias para ser admitido como Confrade da Associação.
Na tarde de domingo, 25 de junho de 1922, reuniram-se na Catedral, a convite do Padre Antonio Azevedo, cerca de 30 cidadãos campanhenses e os reverendíssimos Padres Guilherme Villas-Boas, superior da Casa dos Jesuítas de Campanha, os Jesuítas Padre Campos e Padre Lemes e, ainda, o Padre José Umbelino de Melo Reis, Reitor do Colégio e do Seminário Diocesano.
Após ouvirem a explanação do Dr. Joaquim Furtado de Menezes, foram convidados, dentre os presentes, aqueles que satisfizessem às condições regulamentares e quisessem se alistar como Confrades ativos da SSVP, que assinassem os respectivos nomes.
Os seguintes senhores assinaram os seus nomes confirmando o desejo de integrarem a nova SSVP, ora criada. Foram signatários os senhores: Dr. Francisco Carneiro Ribeiro da Luz, Dr. Artur Albano de Almeida Cirino, Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena, Sr. Antonio Cyrilo Freitas de Vilhena, Sr. Luiz Pereira Serrano, Sr. Marcelo Pompeu, Dr. Manoel Maria Paiva de Vilhena, Sr. João Pedro Alvarenga, Sr. João Ayres Filho, Dr. Francisco Leonel de Rezende, Sr. José Fernandes da Silva, Cel. Carlos Ribeiro, e o Cel. Zoroastro de Oliveira, que não pode comparecer a sessão e enviou um cartão pelo Sr. Menezes, autorizando a inclusão de seu nome na lista dos subscritores.
Os novos Confrades foram convidados a aclamarem o Presidente interino da nova Conferência ora criada, feito na pessoa do Dr. Francisco Carneiro Ribeiro da Luz. Este nomeou para compor a mesa interina o Vice Presidente, Dr. Artur Albino, o Secretário, Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena, que veio, mais tarde, assumir a presidência, e o Tesoureiro, Sr. Marcelo Pompeu.
Nesse mesmo dia, ficou acertado que a Diretoria se reuniria todas as tarde de domingo, na Igreja Nossa Senhora das Dores.
O confrade Presidente, agradecendo a presença de todos, encerrou a sessão, ficando, assim, criada a SOCIEDADE SÃO VICENTE DE PAULO DE CAMPANHA.
A fraternidade e a solidariedade são atitudes do coração que motivam o amor em uma dimensão maior pela prática da fraternidade. Certamente, foram esses os sentimentos que permearam a atitude daqueles que, em um passado distante, movidos pela fé cristã, romperam com a indiferença que divide e conduziram-se ao outro, ao mais pobre e sofrido, estendo-lhes a mão de um irmão pronto a ajudá-los, comprometendo-se, dessa maneira, com a fraternidade e com o amor que implica uma atitude de vida que os levaram a viver a real solidariedade.
Lendo na Folha Campanhense a noticia da cerimônia de posse da nova diretoria da Vila Vicentina, vê-se claramente nas palavras Helena Márcia Nani Rieiro, ao transmitir o cargo para o novo Presidente, Ivan Sérgio Ferreira, o zelo com que essas abnegadas pessoas dispensam a esse notável trabalho voluntário. A cerimônia inicia-se com a Missa celebrada pelo estimado Monsenhor José Hugo. 
O que se passou nessa cerimônia deixa evidentes dois aspectos: o ideal do fundador SSVP, Frédéric Antoine Ozanan, de aproximação da SSPV com a Igreja Católica através do Clero continua vivo na atitude dos membros da Diretoria do Lar Vicentino de Campanha. O outro aspecto é o que está mais próximos de nos campanhenses: o ideal que motivou um grupo de cidadãos campanhenses, há 89 anos atrás, permanece presente nos cidadãos de nossa abençoada cidade.
Tarcísio Brandão de Vilhena


A MINAS DO SUL

CAMPANHA SEDE ADMINISTRATIVA DA MINAS DO SUL

O separatismo foi um fenômeno político ocorrido no Sul de Minas Gerais, dadas as condições históricas, econômicas e sociais da Região. Durante o século XIX, diversos projetos de criação de uma província Sul Mineira foram apresentados ao Senado Imperial, a destacar os de 1843, 1854, 1862, 1868, e 1884. Os representantes do Separatismo Sul Mineiro no Parlamento eram provenientes da cidade de Campanha, importante centro político e cultural da região.
Por seu gigantismo territorial e por sua organização política baseada nas desigualdades regionais de poder, Minas Gerais esteve sujeita a várias ameaças de separatismo ao longo de sua história. Dentre as regiões mineiras, o Sul manifestou tendências separatistas bastante acentuadas ao longo do século XIX.
Nesse contexto, a cidade da Campanha afirmou-se como importante localidade propagadora de idéias separatistas no Sul de Minas Gerais. Nela surgiram vários jornais e projetos parlamentares que tinham como aspiração comum o desmembramento do território sul-mineiro e a criação de uma nova unidade administrativa naquela região.
O surgimento e o desenvolvimento das idéias separatista na região decorrem de dois fatores básicos: o político e o econômico. Durante a primeira metade do século XIX, o Sul de Minas foi a principal região cafeeira e agroexportadora do Estado. Sua prosperidade econômica, todavia, não coincidia com sua pequena expressividade política nos níveis provincial e nacional, dado o número reduzido de deputados sul-mineiros na Assembléia Provincial e na Câmara dos Deputados na Corte. As idéias separatistas surgiram e se desenvolveram no Sul de Minas Gerais a partir de um enorme desnível entre os poderes econômico e político da região, dentro do contexto estadual.
Outro fator que não pode ser negligenciado na compreensão do separatismo sul-mineiro é o da condição geográfica. Por ser uma região limítrofe entre Minas Gerais e São Paulo, foi área de intenso trânsito comercial e alvo de várias disputas interregionais durante o século XVIII. O antigo interesse paulista pela região não se arrefeceu com o tempo, pelo contrário, ganhou força com a situação política desencadeada pelo movimento liberal de 1842. Isso porque, o movimento liberal havia incutido em alguns políticos conservadores o temor de que Minas Gerais viesse a se constituir em uma grande província central e que, com o seu enorme contingente populacional e a sua capacidade em mobilizar recursos nacionais viessem desestabilizar a ordem em outras regiões nacionais. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, a partir de meados da década de 1840, houve estímulo ao surgimento de propostas de desmembramento do extenso território de Minas Gerais.
Antes, porém, é necessário analisar a imprensa separatista sul-mineira, cujo representante de maior vulto foi o jornal "O MONITOR SUL MINEIRO". Dentre as formas de comunicação e o exercício do poder político, a imprensa é talvez aquela que exerça maior influência na sociedade, pois, nas palavras do escritor francês Victor Hugo, "o diâmetro da imprensa é o diâmetro da própria civilização".
Cumpre destacar que a imprensa Campanhense foi o principal agente divulgador da causa do separatismo. Em Campanha, foram impressos os principais jornais separatistas da região como "O OPINIÃO CAMPANHENSE", "NOVA PROVÍNCIA", e o "SUL DE MINAS", todos de propriedade de Bernardo Jacindo da Veiga e de Lourenço Xavier da Veiga. Esses dois irmãos, egressos do Rio de Janeiro, se estabeleceram na cidade de Campanha em 1818, como livreiros e jornalistas.
Em trabalho acerca de alguns grupos familiares que compuseram a elite regional sul-mineira, Marcos Ferreira de Andrade afirma que os homens da família Veiga foram figuras públicas e políticas que souberam se servir muito bem da palavra impressa para enaltecer as qualidades do Sul de Minas Gerais de maneira a justificar a independência administrativa desta região. De fato, as idéias separatistas aparecem com freqüência nas páginas dos jornais e almanaques publicados pelos irmãos Veiga e seus descendentes na cidade da Campanha ao longo do século XIX.
denominação de "MINAS DO SUL". A esse projeto seguiram-se outros semelhantes, apresentados pelos deputados Américo Lobo Leite Pereira em 1843, e pelo Dr. Olimpio Oscar de Vilhena Valladão. Àquela época, a cidade da Campanha era importante localidade propagadora das idéias separatistas no Sul de Minas, além de protagonistas nos debates parlamentares acerca da separação. Eram de Campanha os três deputados anteriormente citados, cujos projetos tiveram os seus respectivos textos integrados aos anais do XIX Encontro Regional de História: Poder, Violência e Exclusão.
A cidade de Campanha foi escolhida como sede da nova Unidade Administrativa de "MINAS DO SUL". Como se isso não bastasse, era Campanha "um dos mais inexpugnáveis baluartes do Partido Conservador", o que lhe garantia posição privilegiada no contexto político do Segundo Reinado.
A 1º de janeiro de 1872, Bernardo Saturnino da Veiga, um dos filhos de Lourenço Xavier da Veiga, fundou o Monitor Sul Mineiro, jornal que conquistaria notoriedade na imprensa mineira por ser um dos mais importantes arautos do separatismo no Sul de Minas Gerais. Dele, Alfredo de Vilhena Valladão nos oferece uma descrição de contemporâneo: "Nas instrutivas, patrióticas e noticiosas colunas deste grande órgão, o Monitor Sul Mineiro, se defendiam as melhores causas e se derramavam úteis conhecimentos. E ainda questões políticas, que tanto apaixonadamente eram ali tratadas sempre com superioridade, dominando sempre o espírito de moderação de idéias e de linguagem, como programa estabelecido. [...] não seria preciso significar, os interesses locais da Athenas Sul Mineira, sobre os variados aspectos, culturais, morais e materiais, eram especial, brilhante e carinhosamente defendidos sempre em suas colunas, bem como o interesse de toda aquela região em geral".
Além das características acima elencadas, "há que se destacar a epígrafe daquele jornal: “LEMOS NO PRESENTE, SOLETRAMOS NO FUTURO". Nesta sentença está contido o ideal máximo do Monitor Sul Mineiro, bem como da imprensa oitocentista em geral, qual seja o registro de idéias que, por sua importância política e histórica, deveriam ser lembradas – e soletradas – no futuro, quando já não houvesse mais suporte de papel no qual lê-las - as idéias separatistas exemplificavam bem tal máxima"
O programa político do Monitor Sul Mineiro pautava-se pela promoção do progresso e da civilização – idéias tipicamente oitocentistas– no Sul de Minas Gerais". Na opinião dos seus redatores, a criação da nova província de Minas do Sul apresentava-se como um indiscutível pressuposto para o progresso da região, de vez que a emanciparia da administração centralizadora de Ouro Preto através da transferência do poder regional para a cidade da Campanha
É importante, porém, ressalvar, que a orientação política do Monitor Sul Mineiro era conservadora e, por isso mesmo, contrária às propostas radicais de separação. Destarte, Minas do Sul deveria ser criada de forma gradual e de acordo com os princípios legais, em respeito ao "status quo imperial".
"A proposta legalista de separação apresentada pelo Monitor Sul Mineiro foi sendo relegada à proporção do desgaste do partido conservador bem como da ordem política por ele sustentada. Neste sentido, o ocaso do Império a difusão das idéias republicanas e federalistas deram ensejo ao surgimento de novas concepções de separação do Sul de Minas Gerais".
Com o advento da República no Brasil, na última década do século XIX, as rivalidades entre as regiões mineiras se aguçaram, de tal forma, que o governo de Minas Gerais se viu obrigado a adotar uma política de conciliação entre as diversas facções republicanas regionais. Entretanto, tal medida foi insuficiente para acalmar os ânimos exaltados dos republicanos sul-mineiros nem para dissipar as idéias de criação do novo estado de Minas do Sul.
Assim, a 31 de janeiro de 1892, eclodiu na cidade da Campanha o movimento separatista sul-mineiro. Sob a liderança de políticos locais, o movimento contou com o apoio de mais de uns poucos municípios circunvizinhos à cidade da Campanha, como São Gonçalo do Sapucaí, Três Corações do Rio Verde e Cambuí (VALLADÃO, 1942, p. 360). Mesmo assim, a Junta Governativa instalada na cidade da Campanha, cuja figura de proa era o Dr. Martiniano da Silva Reis Brandão, engenheiro e membro do Partido Republicano Mineiro (PRM), deliberou oficialmente no Sul de Minas Gerais até meados de março de 1892, quando forças estaduais e federais puseram fim ao movimento.Durante dois breves meses, o sonho da separação parecia haver se tornado realidade para seus idealizadores, como atestam as palavras do jornal Minas do Sul: "Minas do Sul existe enfim! Concretizou-se a perene aspiração de meio século, - nossa e de nossos maiores"."Não há, no mais recôndito recanto do território d’aquém rio Grande, um coração que não pulse uníssono conosco, no contentamento pela realização do nosso sonho com, no entusiasmo pela previsão do esplêndido futuro que nos aguarda". (MINAS DO SUL, 19/02/1892, p.01)
Tarcisio Brandão de Vilhena

Perola Maria Godefeder
Arquivo Público Mineiro
Efemérides Mineiras

 



REMINISCÊNCIAS

Oh! que saudades que tenho / da aurora de minha vida / da minha infância querida / que os anos não trazem mais / que amor, que sonhos, que flores / naquelas tardes fagueiras / à sombra das bananeiras / debaixo dos laranjais!”

Esses versos de Casemiro de Abreu nos fazem sorrir e lembrar cenas adormecidas da infância, vozes que já não se encontram mais aqui. Devaneios, nostalgias, talvez. Memórias guardadas no recôndito da alma, que, às vezes, gritam para que as visitemos. É justamente assim, olhando para o passado que parece tão distante e que nos embriaga o pensamento, que vamos ao encontro de momentos nostálgicos, de um tempo que ficou para trás!
A minha ida para o Rio de Janeiro para estudar no Colégio Pedro II é uma dessas passagens nostálgicas que não se perdem no esquecimento. Saudades, sim, saudades dos momentos felizes que marcaram essa fase alegre e ingênua de nossas vidas, a infância.
O Colégio Pedro II, à época, colégio padrão, que ainda guardava a tradição de quando fora criado pelo Imperador Dom Pedro II como instituição modelo aos demais estabelecimentos de ensino do país. Anos depois de proclamada a República, o ex-Imperador foi homenageado com a designação do seu nome ao colégio que havia fundado.
Naquele tempo, Campanha estava ligada, por estrada de ferro, aos dois maiores centros urbanos do País, Rio de Janeiro e São Paulo, e também a Belo Horizonte, capital do Estado.
Às 05h da manhã, o Rozendo, com a sua carroça de pequeno porte puxada por uma jumenta de uma raça de animais maiores que os jumentos comuns, estava à porta de nossa casa para pegar as malas e levá-las para estação ferroviária. Poucas, ou talvez nenhuma das pessoas dos dias de hoje, ouviram falar do negro Rozendo. Diziam que ele era baiano. Era um negro alto corpulento, dançava congada. Certa vez, assisti, no alto do Rosário, uma embaixada com a presença do Rozendo. Era uma dança em que os congados rememoravam a batalha dos cristãos com os mouros.
Seu oficio era todo ligado à estação da estrada de ferro. Levava malas para embarque e as trazia ao desembargue, alem da entrega de encomendas de médio porte que chegavam à cidade por via férrea.
Meu pai, dois de meus irmãos e eu descemos para o embarque na antiga estação da estrada de ferro da Rede Mineira de Viação. Às 05:35h, o sino da estação deu duas sonoras badaladas e a locomotiva soou o último apito e partiu, puxando os vagões e toda composição rumo à cidade de Cruzeiro, já no estado de São Paulo. Era romântica uma viagem de trem! As pessoas antigas de Campanha diziam que, quando da inauguração da estrada de ferro no final do século XIX, muitos foram aqueles que se escondiam de medo, quando viam aquela coisa estranha apitando e soltando fumaça por todos os lados. Na última cidade de Minas, Passa Quatro, havia uma particularidade: uma outra locomotiva juntava-se à composição, ligada ao ultimo vagão, empurrando o trem. Isto porque, iniciava a subida da Serra da Mantiqueira. No alto da Serra, a composição atravessava o túnel, construído na época do Brasil Império, chegava à estação de Piquete, divisa entre Minas e São Paulo, local onde a locomotiva que empurrava a composição se soltava e o trem iniciava a descida da Serra até a cidade de Cruzeiro.
Cruzeiro era importante centro de entroncamento ferroviário e local onde se fazia a baldeação. A mudança de um trem para o outro era um corre-corre danado de passageiros para Rio ou São Paulo e de passageiros dessas cidades para as instâncias hidrominerais do Sul de Minas.
A expectativa da viagem, a ida para o Rio dava um frio na barriga e a alegria, o contentamento de ver coisas diferentes até então desconhecidas para um jovem adolescente que deixava para trás a vida pacata e tranqüila da cidade pequena, rumo à metrópole. Ficar um ano inteiro distante da família, dos amigos, das brincadeiras inocentes e provincianas, era inquietante e ao mesmo tempo, havia o orgulho de estar indo para um centro grande, a capital do país, estudar em um colégio famoso. Tudo isso zumbia na cabeça, provocando uma vaidade, ingênua talvez, por poder ostentar o que poucos meninos como eu teriam essa oportunidade.
A chegada ao Rio, a rua imensa, as buzinas, as luzes, semáforos, sinal verde, os anúncios em neon no alto dos edifícios, aquela cidade grande. Cada face, cada ser que passava - pra lá e pra cá - inquietamente, tanta gente, suada, apressada, sem alegria, sem alma, com a alma cerrada, enrustida, cada triste surpresa era, na verdade, o retrato da chegada. Seria o prenúncio de uma nova etapa da vida? Sim, era uma outra vida, diferente de tudo o que, até então, conhecia.

Tarcísio Brandão de Vilhena







ATHENAS DO SUL DE MINAS

     “Refulgiu pelo ouro da terra e pela cultura e pelo o civismo de seus filhos"

                                                                                                           Alfredo de Vilhena Valladão


A analise das praticas culturais da elite Campanhense, ja sem os recursos do ouro, evidencia e justifica a gênese da metáfora: "ATENAS DO SUL DE MINAS, ao demonstrar Campanha como a cidade privelegiada por políticas públicas de educação, em relação as demais cidades de Minas Gerais.
Com efeito, um olhar atento e imparcial sobre a cidade da Campanha desde os tempos do Arraial de São Cipriano aos dias de hoje, nos coloca diante de uma sociedade preocupada com o sistema educacional da cidade, refletido no anseio de seus filhos pelo o aprimoramento do ensino.
A extinção da escravatura no Brasil, e a sua repercução na cidade da Campanha, como de resto, em todo país, causou um forte impacto na vida social e econômica da Nação, considerando que a economia do País se sustentava na agricultura.
Para quase todos os lavradores da Vila da Campanha foi um duro golpe. Soma-se a isto a emancipação de vilas que pertenciam à jurisdição da cidade da Campanha, que poderia levá-la a uma grave crise financeira, se não fosse a presença de cidadãos campanhenses na política nacional e no fortalecimento de instâncias ligadas à religião Católica. Acidade pode se manter muito ativa durante todo o século XIX, principalmente através da produção agrícola e pecuária, além do comércio com o Rio de Janeiro e São Paulo. O seu território era vastíssimo e as suas águas minerais eram procuradas por diversas personalidades para os diversos tipos de doenças.Alem do mais e principalmente, Campanha tinha uma excelente base educacional que lhe permitiu filhos ilustres tanto no Parlamento como nos executivos Estadual e Federal.
No ano de 1831, é possível saber da instalação de uma Escola de Ensino Mútuo para Primeiras Letras em Campanha, com mais de 100 alunos.
O método mútuo ou Lancasteriano (método Inglês posto em pratica na India), difundiu-se no Brasil e temos noticia de que foi de imediato posto em prática na cidade de Campanha que ja previa a instrução pública como dever do Estado, com a finalidade de contemplar um número maior de alunos. Além disso, método combatia os castigos físicos, comuns na época.
Um dos alunos dessa época na escola de primeira letras como era chamada, foi o futuro senador Evaristo da Veiga. Os alunos, cujos pais tinham recursos, compravam os livros e os meninos pobres recebiam o material da Câmara ou da Província.
No ano de 1840 o ensino mútuo ja estava quase abandonado nas escolas mineiras, seria substuido pelo método Silmutâneo. A Assembleia Mineira subvencionou a ida de dois professores a França para aprender esse novo método.
Nesse mesmo ano de 1.840 a vinda de um Delegado de Ensino à Vila da Campanha, enviado pelo o Presidente do Estado, Bernardo Jacinto da Veiga, esse Delegado em seu relatório informava que o ensino de Latim, Fracês e Filosofia, na cidade da Campanha era muito bem ministrado, sobrepunha aos demais municipios Mineiros e o adiantamento dos alunos era notório e significativo. Nesse mesmo relatório o Delegado manifesta a necessidade de melhores salários para os professores. Em 1843 no ensino público secundário em Campanha, a cadeira de latim era ministrada pelo o padre mestre João Damasceno. Conforme informes da época o padre João era tido como um grande latinista, os alunos o tinham como uma espécie de oráculoO ensino do latim, segundo depoimento de vários Campanhenses foi fundamental para muitos daqueles que optaram pelo o estudos das ciências jurídicas.
Um fato que deve ser registrato pelo o seu aspecto inédito e avançado, considerando época, em pleno século XIX, é o jornal, O Sexo Feminino - jornalismo que instrui.
O Sexo Feminino é o nome do periódico de propriedade da jornalista da Campanhense Francisca Senhorinha da Motta Diniz, que também editava e redigia o jornal. O primeiro ano de publicação do jornal (1873-1874) foi feito aqui na nossa cidade da Campanha.
Em 1875, Senhorinha Diniz mudou-se para o Rio de Janeiro com uma proposta de trabalho para lecionar na Corte. A escritora continuou com as edições de
O Sexo Feminino, mesmo com a mudança para o Rio.Tratava-se de um jornal direcionado ao público feminino, fato observado logo na capa do veículo, onde lia-se: "Especialmente dedicado aos interesses da mulher".
A jornalista escrevia para um público mais intelectualizado e instruido, fato que demonstra o nivel cultural da sociedade Campanhense.
Em 15 de novembro de 1874 o editorial do jornal assim expressava:"É tempo de darmos o grito de nossa independência, de nossa emancipação do jugo ferrenho em que até agora vivido, proclamando alto e bem alto a nossa capacidade para certos empregos públicos, e muito principalmente para o magistério onde daremos a mocidade de ambos os sexos educação e instrução".
No ano de 1.893, depois de ter cursado a Escola Normal de Campanha e frequentado o Seminário de Mariana e o famoso Colégio do Caraça, o grande professor Jonas Olinto, "pedagogo de cultura enciclopédica", jornalista e poeta, fundou e dirigiu o seu Externato, e sozinho lecionava as seguintes matérias: Português, Francês, Inglês, Matemática, Geografia e História. Passaram pelos os bancos desse famoso Educandário de ensino primário e secundário, várias gerações de estudantes, durante 30 anos.
Interresante observar que, segundo o relato de Francisco de Paula Ferreira de Rezende, fica evidenciado que as experiências educacionais na Vila da Campanha, particularmente no ensino primário e segundário não era feito somente através da educação formal, mas de toda cultura que cerca o indivíduo, a auto biografia de Ferreira de Rezende é um ponto de partida para essa compreensão. Fato revelador do elevado nível cultural da Sociedade Campanhense.
O anseio dessa sociedade pelo aprendizado, pelo ensino e pela elevação do nivel cultural da cidade se manifesta quando essa mesma sociedade se mobiliza, através de seus mais ilustres representantes que integram o cenário politico-administrativo não só do Estado como tambem do País, e do Emérito Sacerdote, Padre Natuzzi, coadjuvato pelo ilustre campanhense Monsenhor João de Almeira Ferrão, mais tarde primeiro bispo da recem criada Diocese da Campanha e pelos ilustres deputados, Joaquim Leonel de Rezende Filho. Gabriel Valadão e João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior - iniciaram os entendimentos junto a Mere Angelina que chegara ao Brasil em 1.897, nomeada superiora do Colégio de Sion de Petrópolis, com o objetivo de criar em nossa cidade o Colégio de Sion, administrado pelas as irmãs dessa recente ordem das Irmãs de Sion, fundada na França, para criação de Colégios que ofereciam educação rígida e esmerada para moças. Epoca em que a França ditava o modelo de educção, levou a sociedade Campanhense interessar-se pela vinda da irmãs francesas com intuito de aprimorar o sistema educacional, com oferta do ensino feminino e confessional na cidade e na região Sul Mineira.
Convidada a visitar Campanha Mère Angelina acompanhada de sua secretária, irmã Joaquina, chegam a cidade, tendo a melhor impessão de nossa cidade e, de imediato, decide pela a escolha do local para instalação do colégio. Foi escolhido o imóvel que pertencera ao Senador Evaristo da Veiga, no mesmo local onde se encontra as soberbas instalações do Colégio de Sion.
.O Colégio, que funcionou entre 1904 a 1965, foi responsável por educar na forma de internato e semi-externato as meninas da elite Sul Mineira (Meninas de Sion), como eram conhecidas e também meninas pobres da região (Martinhas). Manteve uma divisão entre estas duas categorias, já que o tratamento era diferenciado. Preparava as primeiras para exercer papéis de liderança familiar, como boas esposas e mães, como também para exercer a profissão de professoras. Já as meninas pobres eram preparadas essencialmente para o trabalho doméstico.
O Colégio instala-se na cidade como uma forma de fortalecer e ampliar o perímetro de influência da Igreja Católica, com uma nova roupagem e atendendo aos anseios do desenvolvimento do capitalismo.
No ano de 1906 a nova casa de Sion inicia as suas atividades em nossa cidade. Foram muitas as alunas da Campanha e da região Sul Mineira que se matricularam na nova instituição. Citamos aqui algumas Campanhenses do período de 1.906 a 1.920: Maria das Dores Paiva de Vilhena, Maria Amélia Veiga de Oliveira, Maria do Rosário Paiva de Vilhena, essas três ingressaram na ordem, tornando-se Irmãs de Sion. Maria da Conceição de Vilhena Lisboa, Hilda de Oliveira Ferreira, Ordália de Oliveira Ferreira, Laura Bressane de Azevedo, Dora Ayres, Edite Souza e Silva, Alvarina Silva, entre outras.
Em 1.906, Charles Noguères, cidadão Francês, junto com o Cônego Joaquim Timóteo Soares, sob a inspiração do Monsenhor João de Almeida Ferrão, fundam o Ginásio Santo Antônio de ensino secundário para rapazes,
Em 21 de abril de 1.908 foi instalado o Grupo Escolar da Campanha, denominado Zoroastro de Oliveira. Ao longo de sua existência o Grupo foi dirigido por importantes personalidades de nossa cidade, como Dr. Júlio Pereira da Veiga, Dona Matilde Mariano, Dr. José Braz Cezarino, Dr. Serafim Maria Paiva de Vilhena, Prof. Júlio Bueno, Dona Maria Conceição de Vilhena Lisboa.
Em 1.909 Dom Ferrão funda o Seminário Nossa Senhora da Dores, tendo como o seu primeiro Reitor, Monsenhor Joaquim Soares, alem de outros que ocuparam tão importante cargo em várias épocas.
Em 1.910 sob sabia orientação desse extraordinário Bispo, Dom João de Almeida Ferrão, foi criado o Ginásio Diocesano São João que, em sua longa e gloriosa vida de mais meio século, formou várias gerações de jovens preparando-os para a vida. Muitos daqueles que passaram por essa instituição se tornaram profissionais capacitados e de renome, nos vários segmentos de suas atividades profissionais
Em 1.929 Restabelecimento da Escola Normal da Campanha, sendo nomeado seu primeiro Diretor o Prof. Jucelino Teodoro de Aguiar Júnior que a instalou e foi em seguida sucedido pelo Prof. Francisco de Melo Franco.
No ano de 1.964 instala-se na cidade o seu segundo Grupo Escolar que recebeu o nome de Dom Inocêncio em homenagem ao segundo Bispo da Campanha.
Por ultimo, assinalamos, como merecido destaque, a criação de ensino superior que tanto se orgulha Campanha. "Radiante e vitoriosa graças ao idealismo do Campanhense de nobre origem o Desembargador e Comendador Manoel Maria Paiva de Vilhena uma bandeira de civismo e de grandeza cultural".
As faculdades Integradas Paiva de Vilhena, são, sem dúvida alguma, a culminância de um processo que, possivelmente, estavisse em gestação no seio da sociedade Campanhense e nasce pelo o idealismo de um obstinado, legítimo representande dessa sociedade, como afirmação de que Campanha foi o centro irradiador de cultura e o viveiro dos melhores troncos que povoaram esse abençoado solo Sul Mineiro. Não à-toa ela foi cognominada "A Athenas do Sul de Minas".

Tarcísio Brandão de Vilhena

DR. JOÃO BRÁULIO MOINHOS DE VILHENA JÚNIOR

João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior, nasceu a 23 de junho de 1860, filho do ilustre Desembargador João Bráulio Moinhos de Vilhena e de dona Manoela Augusta Capistrano de D'AlkmiM.
Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1886, além de profissional de reconhecida competência, era jornalista brilhante, político de grande prestigio, orador fluente e parlamentar respeitado e atuante.Em 1893, foi eleito deputado, tomando parte na sessão legislativa desse ano e do seguinte do Congresso do Estado de Minas Gerais. Voltou a ser eleito nas legislaturas de 1903 e 1906, tendo sido, nessa última, Presidente da Câmara.A sua atuação na legislatura Mineira foi das mais marcantes e fecundas, destacando-se no plenário com orador de largos recursos e nas comissões de saúde e de orçamento com os seus aprimorados conhecimentos dos assuntos a elas pertinentes.
No governo do grande estadista, Dr. João Pinheiro da Silva, passou a ocupar a importante Secretaria das Finanças do Estado de Minas Gerais.Homem público de grande prestigio político e com extraordinária visão de futuro, o Dr. João Bráulio Júnior, antes mesmo de sua viagem a Europa, em missão oficial e extraordinária do governo do Estado de Minas Gerais, já estava indicado pelo PRM, Partido Republicano Mineiro, para ser o sucessor do Dr. João Pinheiro - e com aval desse - na governança do Estado de Minas Gerais.
A 23 de julho de 1907. empreendeu viagem a Europa em missão oficial do governo Mineiro para resolver assunto de natureza financeira e, também, para tratamento de saúde.Em principio de 1908, foi operado de antiga enfermidade, em Loussanne, Suíça, pelo famoso cirurgião Dr. Roux.Regressando a Paris mais tarde, com seus familiares, sofreu gravíssimo acidente de automóvel, quando deixava um templo que fora visitar, próximo ao centro da “Cidade Luz”, vindo a falecer, apesar dos socorros médicos, só se salvando a sua esposa, uma filhinha de pouca idade e uma criada que também ocupava o veículo sinistrado.
O prestigioso jornal Campanhense, “Monitor sul Mineiro”, em sua edição de 13 de julho de 1908, estampou, com destaque, a seguinte notícia sobre a lamentável ocorrência:“ Despachos telegráficos de Paris dão-nos a triste notícia do horroroso desastre de que foi vitima nosso caro amigo e ilustre conterrâneo, Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior e sua Exma. família, ao sair da Basílica do Sagrado Coração de Jesus, nos arredores de Paris e de seu falecimento em decorrência dos ferimentos recebidos. Dizem ainda os referidos despachos telegráficos que na tarde de 5 do corrente, o Dr. João Bráulio, sua esposa e uma filhinha de pouca idade, conduzida por uma criada, regressando de uma Igreja, de automóvel, quando o pneumático de uma das rodas arrebentou, fazendo com que o veículo capotasse e projetasse ladeira abaixo por uma distância de cerca de 10 metros.
Socorridas as vítimas por populares, foram de imediato, recolhidas ao hospital Leviboisiére, onde apesar dos esforços médicos, veio a falecer na tarde desse dia, salvando-se os outros passageiros do veículo”.
O já citado jornal “Monitor Sul Mineiro”, de 19 de julho de 1908, dava, com detalhes, as seguintes informações da chegada dos restos mortais do inditoso médico Campanhense:“Como estava anunciado, chegou a bordo do vapor “AVON” o corpo embalsamado de nosso ilustre conterrâneo, Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior, que no dia 5 de julho foi vítima de um desastre de automóvel em Paris. O cadáver do malogrado brasileiro foi acompanhado pela viúva, uma filhinha e mais um filho que estudava na Alemanha.
O veterano “Jornal do Comércio”, de 28 se julho de 1908, dava os seguintes informes sobre a chegada do corpo do Dr. João Bráulio no porto do rio de Janeiro:“A bordo do Paquete Avon , chegou ontem os restos mortais do Dr. João Bráulio Moinhos de Vilhena Júnior, acompanhado de sua família. A viúva foi recebida pelo Ministro da Viação , Dr. Francisco Coelho. O féretro foi transladado para a Capela do Arsenal de Guerra, onde ficará até a partida para Belo Horizonte e depois para a cidade de Lambari. O Presidente da República será representado pelo Almirante Alexandrino de Alencar, ministro da Marinha. O presidente do Estado de Minas Gerais, deliberou prestar ao malogrado auxiliar e amigo no governo, as mais vivas demonstrações de pesar, fazendo-se representar na chegada do corpo ao porto do Rio de Janeiro pelos senhores doutores, Alves Pinto, Prefeito de Belo Horizonte, Carvalho Pinto, secretário de Estado, Comissão do Senado Mineiro e Câmara dos Deputados de Minas e outras”Estavam presentes também, representantes das cidades da Campanha e de Lambari.
A morte nos coloca diante da mais simples verdade, a única certeza absoluta que nem mesmo o cético mais obstinado pode duvidar. A dor não cabe em palavras. Só nos resta senti-la.
A morte também é elucidativa. Ela ensina, mostra o quanto somos frágeis e explicita a efemeridade da vida. Não podemos confiar no amanhã, pois nada nos garante que estaremos vivos. No entanto, precisamos nos iludir, pois é insuportável imaginar a ausência do ser no dia que segue. Assim, nos entregamos à rotina e esta nos oferece uma espécie de segurança ontológica. Precisamos acreditar que outro dia virá, que estaremos entre os nossos e eles estarão conosco. Não é tão difícil aceitar a própria finitude, é muito mais doloroso perder o “outro” que nos completa. Até aceitamos a invitabilidade da morte, mas é dilacerante a experiência da partida dos que amamos.

Tarcísio Brandão de Vilhena

Arquivo Público Mineiro
Efemérides Mineiras
Cúria Arquidiocesana de Mariana
Cúria Diocesana de Campanha

MAJOR MATHIAS ANTONIO MOINHOS DE VILHENA



Major Mathias Antonio Moinhos de Vilhena nasceu em 1801, na freguesia de São Gonçalo, Vila da Camanha, filho do ilustre casal Coronel de Milícias Mathias Gonçalves Moinhos de Vilhena e de Dona Iria Claudiana Umbelina da Silveira, irmã de Bárbara Heliodora.
Casou-se, em 1828, com Dona Escolástica Joaquina de Oliveira Carvalho, filha de Domingos de Oliveira Carvalho..
O casal teve doze filhos: Tenente Coronel Domingos de Oliveira Carvalho de Vilhena, casado com D. Maria Úrsula de Freitas; Desembargador João Bráulio Moinhos de Vilhena, casado com Manuela Augusta de Alckmin; Tenente Coronel Mathias Antonio Moinhos de Vilhena Junior, casado com Dona Francisca de Paula Dias; Capitão Antonio Carlos Moinhos de Vilhena, casado com Maria Bárbara de Miranda; Francisco Moinhos de Vilhena, que faleceu jovem; Cônego José Theophilo Moinhos de Vilhena, vigário de Campanha por mais de dezesseis anos; Monsenhor Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, vigário geral do Bispado de Campanha; Maria Amália de Vilhena, casada com o Comendador Manoel Ignácio Gomes Valadão; Maria Rita de Vilhena, casada com Seraphim Antonio de Paiva Pereira, natural de Portugal; Anna Edwiges de Vilhena, casada com Antonio de Souza e Silva Brito, português; Maria do Carmo Vilhena e Maria Emília Vilhena, que se conservaram solteiras.
O Major herdou de seu progenitor os sentimentos de honra, de civismo e principalmente de religião e de bondade, transmitidos à sua prole.
As especiais condições de sua família impediram que o Major fizesse estudos mais regulares, pois grande era o número de seus irmãos e, assim, pesados os encargos da casa paterna. Rica a principio, aos poucos, a família viu sua fortuna se exaurir em parte, também, como resultado do insucesso da Inconfidência Mineira, pois seu pai, o Coronel Mathias, era concunhado de Alvarenga Peixoto.
Mathias Antonio Moinhos de Vilhena pertenceu à Irmandade do Santissimo e foi Prior da Irmandade de Nossa Senhora das Mercês. Atuou, por algum tempo, como escrivão de Órfãos (1) e se consagrou à agricultura, tendo criado a importante fazenda “Conceição da Vargem Grande”, na freguesia de Vargem Grande, atual Monsenhor Paulo. A carreira política não o seduzia.
Era, porém, um liberal e cumpriu rigorosamente seus deveres cívicos, mostrando-se sempre interessado pelo progresso de sua terra e de sua pátria. Genuíno patriarca, educou seus filhos com seu exemplo das mais apuradas virtudes cristãs. Mantinha em seus hábitos, na sua apresentação e na sua indumentária a linha fidalga, mas, ao lado disso, era um espírito voltado para Deus e para os menos afortunados.
Fazia transportar e hospedava bispos e missionários para a pregação; reparava templos e construía capelas. Compadecendo-se dos enfermos, tornou-se um dos grandes benfeitores da Santa Casa de Campanha, da qual foi eleito seu primeiro provedor quando a inauguro em 1851, desempenhando sua missão com grande empenho, com sacrifícios e com benemerência.
Fez erguer pelos seus escravos, em 1876, uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, protetora de sua fazenda. Ao redor da capela surgiu o povoado de Ponte Alta, que se ligará para sempre à figura de seu filho, Monsenhor Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, vigário do bispado de Campanha e que ali vinha para dar assistência aos fiéis do povoado.
O Major Mathias possuidor a princípio de considerável fortuna, viu a mesma diminuir pela sua desambição, pelo vasto auxílio prestado a obras religiosas, pelos gastos na educação de seus muitos filhos e pela caridade que derramou sempre a mancheias; um São Vicente de Paulo inclinado para os pobres, a surpreendê-los com seus socorros, figura bendita por tantos lares campanhenses e habitantes da freguesia de Vargem Grande.
Cercado pelo carinho de familiares e amigos, o Major Mathias faleceu piedosamente em Campanha, no ano de 1886.

O jornal “O Despertador”, daquela cidade, assim anunciou seu falecimento:
Com o passamento do major Mathias perdeu a Campanha um de seus mais distintos e honrados cidadãos, um verdadeiro patriota que nunca poupou esforços para o engrandecimento material e moral desta terra, que está cheia de seus benefícios.Muitas vezes, o major Mathias, guiado pela justiça e pelos doces sentimentos que inspira a religião do Cristo, livrou da miséria famílias inteiras. O nome do major Mathias está gravado com letras indeléveis no coração dos pobres, e este é o seu maior padrão de glórias. No dia 8 houve o seu enterramento, sendo imenso concorrido, o que prova exuberantemente quanto era considerado”

(1) Escrivão dos órfãos era o oficial público que atuava com a autoridade do juiz dos órfãos, reduzindo a escrito todos os atos dos processos que cabiam ao dito juiz. Era cargo de provimento real que tinha mandato de três anos, devendo o candidato possuir no mínimo trinta anos de idade.

Tarcisio Brandão de Vilhena